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segunda-feira, 30 de março de 2020

JOÃO 16:2 defende os Decretos de Deus ?

MATAR EM NOME DE DEUS?
O que Jõao 16:2 quer dizer ?


Por causa de textos aparentemente complexos e algumas traduções em específico, muitos ao lerem a Bíblia, acabam por fazer uma interpretação equivocada das Escrituras.

É o que acontece com a passagem de João 16:2 

A passagem nessa tradução diz o seguinte:

"Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus".(RC)

Ocorre que, se avaliarmos esse texto usando apenas essa tradução e lermos tão somente esse versículo, de forma isolada, a impressão é que o texto  estaria afirmando que; chegaria um tempo que quando cristãos fossem mortos, estaria se fazendo um serviço para Deus.

Diante de uma suposta polêmica, com relação ao texto em epígrafe, faz se necessário recorrer a outras traduções.





BÍBLIA KING JAMES 

"Eles vos expulsarão das sinagogas; e mais: chegará o tempo quando quem vos matar PENSARÁ que está prestando um culto a Deus".

BÍBLIA DE JERUSALÉM 

"Expulsar-vos-ão das sinagogas. E mais ainda: virá a hora em que aquele que vos matar JULGARÁ realizar um ato de culto a Deus".



BÍBLIA LITERAL DO  TEXTO TRADICIONAL 

"Para-fora das sinagogas (os fariseus)¹ vos porão; mais que isto, está chegando  ͣ hora, a fim de que todo aquele havendo-vos matado SUPONHA através disso um serviço (de culto) estar-ofertando a Deus". 
① compare com 9:22 e 12:42-43


Apenas com a evidência dessas traduções, fica claro que Deus não DECRETA matar cristãos ou quem quer que seja, como objeto de sua Soberania, mas que as pessoas achariam que ao fazer isso, estariam fazendo um serviço à Deus.

Não satisfeito ainda com as traduções fui em busca do subsídio histórico.




A verdade é que os judeus criaram uma lei, que quem confessasse que Jesus era o Messias, deveria ser expulso das suas sinagogas;

João 12:42;43 deixa isso muito nítido:

"Apesar de tudo, até MUITOS dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga.

Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus".
João 12:42-43

Como diz a Bíblia, muitos dos principais governantes que acreditaram que Jesus era o verdadeiro Messias, NÃO O CONFESSARAM, por medo desta lei.

Era algo que eles não podiam suportar; de serem julgados e tratados como hereges e apóstatas.

Contudo, a expulsão da sinagoga não era a pior das punições, pois era tida como o menor dos castigos impostos pelos judeus que era a excomunhão sendo chamada de  נדוי "Niddui", e que consistia numa "separação" durante algum tempo de uma sinagoga em particular.

Porém a mais severa excomunhão, chamada por חרם, "Cherem", ou שמתא, "Shammata"; era quando uma pessoa era cortada do corpo inteiro da igreja judia, chamado frequentemente de sinagoga, ou congregação do povo.

Era dedicada uma sentença de DESTRUIÇÃO desde o mais alto poder eclesiástico deles.

RAIVA - MALÍCIA; eram tipos de sentimentos que eram dispensados aos considerados "hereges"; mas, não só isto. Era lícito também tirar a vida dos mesmos, debaixo de uma suposta pretensão de zelo pelo serviço de Deus e interesse de religião, como faziam os ZELOTES.

É por conta disto e desta lei que os ZELOTES ao matarem os considerados 'HEREGES' julgavam estar fazendo um serviço para Deus.



Nos tempos de Jesus, haviam muitas seitas judaicas e os ZELOTES eram extremamente fundamentalistas. 

Acreditavam que a submissão a Roma fosse traição a Deus e tinham verdadeiro repúdio à dominação romana. Manifestavam ardente zelo na obra de evangelização.

Um dos apóstolos, Simão, havia sido zelote, confome Lucas 6.15 e Atos 1.13

Por conta de tudo isso, acreditavam piamente, que se matassem os "infiéis" estavam prestando um culto a Deus.


Qual o significado do nome zelote?


Sempre que eles achavam qualquer pessoa culpada de um crime importante, como idolatria, blasfêmia, adultério, etc, ou o que eles julgavam assim, e, sem qualquer dificuldade, eles o matavam; pois não eram considerados culpados em  nenhum tribunal por tal ação, já que julgavam algo louvável e piedoso diante de Deus.


Foi deste modo e pelas mãos de tais que Estevão, foi assassinado pois, embora eles o tivessem levado diante de um Conselho e subornado testemunhas contra ele, contudo, quando na sua própria defesa, ele disse o que estes "Zelotes" interpretaram como blasfêmia, eles correram imediatamente até ele, e o expulsaram da cidade, e o apedrejaram até morte; sem qualquer licença ou autoridade do Sinédrio, como é relatado nas Escrituras.  
(Atos 7:54-60).

Eles eram considerados homens bons, zelosos,  "com um zelo para com Deus", com a sua honra e glória; e se deu muito valor em tais chacinas e desumanidades, por que eles julgavam estar “fazendo o serviço de Deus"; ou como a versão Siríaca verte, "ofereciam um sacrifício a Deus".

Eles consideravam isso como um sacrifício aceitável a prazeroso a Deus: assim como o Apóstolo Paulo, em seu estado antes de ser regenerado, achava que devia fazer muitas coisas contra o nome de Cristo, pois achava que estava fazendo o serviço de Deus, quando perseguiu a igreja e entregou muitos dos santos à morte.

Por isso lemos:



"E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote.
E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns deste Caminho, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém.


Atos 9:1,2


Nos Passos de Paulo: CARTAS PAULINAS


CONCLUSÃO 

JOÃO 16:2 não defende portanto, os Decretos de Deus.  

Esse é o motivo por que Cristo disse em João 16:2; que quando alguns dos discípulos fossem mortos, as pessoas julgariam que ao matá-los, estariam fazendo um serviço para Deus.

Então a alegação de que esse texto estaria dando suporte para um suposto decreto de Deus, cai por terra diante do contexto bíblico e histórico! 


Colaboração:

Comentários de João 16:2


Bíblia de Estudo Pentecostal





"...sabendo que fui posto para a defesa do Evangelho de Jesus Cristo".


Filipenses 1:17

sexta-feira, 27 de março de 2020

OPERAI A VOSSA SALVAÇÃO !

Existe cooperação humana no 
processo de salvação?




O que Paulo quis dizer com 
OPERAI A VOSSA SALVAÇÃO?



Ora, até mesmo o versículo mais usado pelos CALVINISTAS, que diz que “Deus opera em vós o querer e o realizar” (Fp.2:13), é claramente SINERGISTA diante do contexto, que imediatamente antes diz: “operai/efetuai/desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fp.2:12).



A hermenêutica diz que não se deve isolar textos da Bíblia e desconsiderar todo um contexto bíblico.

Podemos observar dentro desses dois versículos que Paulo diz que.... <<NÓS>> operamos a nossa salvação, mas também diz que <<DEUS OPERA>> a nossa salvação.


Estaria o apóstolo sendo contraditório ? Seria o Apóstolo Paulo bipolar ou estaria ele refutando a si mesmo no verso 12?


Evidente que não.

As duas coisas são verdadeiras. É VERDADE que Deus opera em nós a salvação, mas isso não ocorre de forma UNILATERAL ou independente das atitudes humanas.


O homem pode RESISTIR a Deus, e consequentemente, REJEITAR a operação de Deus em sua vida, assim como fizeram o povo de Deus ao longo da história e os fariseus nos tempos de Jesus que “rejeitaram o propósito de Deus para eles” (Mt. 23:37 - Lc. 7:30  -  At. 7:51  -  Rm 10:21 - Isaías 65:12 - 66:4).




Portanto, Deus opera através do homem, e este, por sua vez, pode RESISTIR ou não à operação de Deus em sua vida e rejeitar o propósito para ele.

É somente deste jeito que podemos entender dois versos aparentemente contraditórios, onde a operação é declarada ser tanto do homem como de Deus.

É somente assim que podemos dar algum sentido à parte em que Paulo exorta os homens a operarem a própria salvação.

Além disso o escritor aos HEBREUS diz que a salvação é pra quem obedece:

"E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem"; (Hebreus 5:9) 

Ao analisarmos o contexto fica evidente que 
esse processo é SINERGISTA !



Interessante a declaração de um calvinista sobre o assunto:




Como crentes salvos pela graça, devemos concretizar a nossa salvação até o fim (Mateus 24:13). Se deixarmos de fazê-lo, nós a perderemos. 




Não desenvolvemos a nossa salvação por meros esforços humanos, mas por meio da graça de Deus e do poder do Espírito Santo que nos foram outorgados. 




A fim de desenvolvermos a nossa salvação, devemos RESISTIR ao pecado e atender os desejos do Espírito Santo em nosso íntimo. Isso envolve um esforço contínuo e ininterrupto de usar todos os meios determinados por Deus para derrotarmos o mal e manifestarmos a vida de Cristo. 

Sendo assim, concretizar a nossa salvação é concentrar-nos na importância da santificação.

Operamos a nossa salvação, chegando cada vez mais perto de Cristo (ver Hb 7.25) e recebendo seu poder para querer e efetuarmos a boa vontade de Deus.

É por isso que Paulo diz que somos "cooperadores de Deus" (1a Co 3.9 -  2a Co 6:1 - Fp 1:5) para a nossa completa salvação no céu.

Desenvolver a nossa salvação é tão vital que deve ser feito "com temor e  tremor".

COM TEMOR E TREMOR



Na salvação efetuada por Cristo,  Paulo vê lugar para "temor e tremor" da nossa parte.

Todo filho de Deus deve possuir um santo temor que o faça tremer diante da Palavra de Deus (Is 66.2) e o leve a desviar-se de todo mal (Pv 3.7; 8.13).


O temor (gr. phobos) do Senhor não é de conformidade com a definição frequentemente usada, a mera "confiança reverente", mas inclui o santo temor do poder de Deus, da sua santidade e da sua justa retribuição, e um pavor de pecar contra Ele e das consequências desse pecado (cf. Êx 3.6; Sl 119.120; Lc 12.4,5).


Não é um temor destrutivo, mas um temor que controla e que redime e que aproxima o crente de Deus de suas bênçãos, da pureza moral, da vida e da salvação (cf. Sl 5.7; 85.9; Pv 14.27; 16.6)


O versículo 13 diz que DEUS É O QUE OPERA EM VÓS, ou seja é graça de Deus que opera nos seus filhos, para produzir neles tanto o desejo quanto o poder para cumprir a sua vontade.


Mesmo assim, a obra de Deus dentro de nós não é de COMPULSÃO, nem de GRAÇA IRRESISTÍVEL.


A obra da graça dentro de nós (1.6; 1 Ts 5.24; 2aTm 4.18; Tt 3.5-7) sempre depende da nossa fidelidade e cooperação (vv. 12,14-16).



Colaboração:


  • Bíblia de Estudo Pentecostal


  • Arminianismo x Calvinismo  - Quem está com a razão?




"...sabendo que fui posto para DEFESA DO EVANGELHO".

Filipenses 1:17






domingo, 9 de fevereiro de 2020

NÃO APAGUEIS O ESPÍRITO

O BATISMO COM FOGO NA BÍBLIA

Capa: Não Apagueis o Espírito - Pr. Marcos Antônio da Silva 
Edições Luz da Palavra

O Batismo com fogo citado em Mateus 3.11 seria um fogo de juízo, fogo da condenação do inferno como alardeiam e zombam os anti-pentecostais ?  NÃO, não é !

Vamos ao texto:





Há uma precipitação exegética para que se tenha essa ideia por que logo em seguida é dito no verso 12 da condenação do lago de fogo que os ímpios sofrerão e por conta dessa aproximação dos textos, muitos afoitos logo pensam que o contexto favorece identificar o batismo com fogo com a condenação do lago de fogo. Mas não é bem assim.  

Quem estudou Pneumatologia - Doutrina do Espírito Santo - aprendeu que um dos símbolos do Espírito Santo é o fogo. Em Lucas 3;16 Ele é ilustrado como fogo, por que o fogo, aquece, ilumina e se espalha purificando.

O que faz o fogo ?

1) Alastra-se, ou seja, fala da comunicação do Espírito Santo com a Igreja;

2) Ilumina, ou seja, o Espírito Santo opera na Igreja através do ministério da revelação;

3) Derrete os corações endurecidos pelo poder do Espírito através da pregação da Palavra de Deus;

4) Purifica, ou seja, os provados no fogo do Espírito Santo se tornam participantes da natureza divina; (2ª Pd. 1:4 - ser participante  da natureza divina, não é ter a natureza divina - ser é diferente de ter)

5) Aquece, ou seja, Jesus deseja que sejamos aquecidos pelo fogo do Espírito( Apocalipse 3:15,16).

6) Queima os nossos pecados;

7) Arde; a Palavra de Jesus ardeu no coração dos dois discípulos em Emaús ( Lucas 24:32 -  Jr 23:29)

A Bíblia chama Deus de fogo consumidor em Hebreus 12:29. 


A PROFECIA 

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A profecia de Joel se dá em três tempos distintos da história.

  • Tempo histórico
  • Tempo contemporâneo
  • Tempo escatológico



A descida do Espírito Santo em Atos 2 foi o início do cumprimento da profecia, ou seja, Atos 2 foi o tempo histórico dessa profecia. 

Hoje, nesse tempo hodierno, temos o continuar desse derramar do Espírito Santo, e o cumprimento total dessa profecia culminará com o retorno de Cristo e o estabelecimento do seu Reino Milenar na Terra. E o conhecimento de Cristo na Terra será pleno.

O verso 3 de Atos 2 diz:





A manifestação divina ligada ao fogo era comum no Antigo Testamento, tanto para trazer juízo, quanto para iniciar uma nova era ao povo de Deus.

O fogo sempre foi a garantia que Deus estava no negócio, visto que para os judeus a manifestação divina estava ligada ao fogo. FOGO está relacionado sim a juízo, mas também a Glória de Deus.

Vemos isso por diversas vezes no Antigo Testamento.

Quando Deus apareceu a Moisés na sarça ardente. 

(Êxodo 3:2,3)

Quando a Lei foi entregue para o povo no Sinai Deus se manifestou e desceu em FOGO:


"E todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em FOGO; e a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente".

Êxodo 19:18



Depois a presença de Deus acompanhava a comunidade de Israel no deserto como uma “coluna de fogo” (Êxodo 13.21, 22; 14.24), ou seja, não indicando juízo, mas sinalizando a presença e a proteção do Senhor.



O Livro de Êxodo termina nos dizendo que a NUVEM cobriu a tenda da congregação e a glória do Senhor encheu o Tabernáculo. 

Esse acontecimento prenuncia a presença de Deus habitando no meio do seu povo através do FOGO. 


"Porquanto a nuvem do SENHOR estava de dia sobre o tabernáculo, e o FOGO estava de noite sobre ele, perante os olhos de toda a casa de Israel, em todas as suas jornadas".

(Êxodo 40:34-38)



SACERDÓCIO LEVÍTICO 

" O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará". Lv 6:13


No livro de Levítico o fogo simboliza a presença de Deus e a Sua glória. Encontramos na Palavra várias manifestações de Deus acompanhadas pelo fogo. 



Após Arão oferecer sacrifícios por si e pelo povo, a Bíblia nos mostra que do altar do Senhor saiu fogo:



 “Porque o FOGO saiu de diante do SENHOR, e consumiu o holocausto e a gordura, sobre o altar; o que vendo todo o povo, jubilaram e caíram sobre as suas faces”. (Lv. 9:24)



A orientação de Deus era que o FOGO queimasse continuamente sobre o altar e não se apaguesse.  O altar simboliza o lugar de encontro com Deus, entrega total, sacrifício e concerto sem o qual não há fogo.



Quando Salomão terminou de edificar o templo ao Senhor, após a sua oração a Bíblia diz que desceu FOGO DO CÉU e a glória do Senhor encheu toda a casa. ( 2ª Crônicas 7:1)




Quando Elias desafiou os 450 profetas de Baal e os 400 profetas de Asera, o fogo consumiu o holocausto feito por Elias. (1º Reis 18:38)




Quando Elias estava na caverna, lá no monte Horebe, uma das formas que Deus se manifestou foi através do fogo.( 1º Reis 19:12).



Em Daniel 7:9 o trono de Deus é retratado como chamas de fogo e suas rodas como de fogo ardente.



Dentro deste contexto, a nota da Bíblia de Jerusalém sobre o fogo mencionado em Mateus 3:11 não indica juízo, mas de purificação. Diz a nota:

"O fogo, instrumento de purificação menos material e mais eficaz do que a água simboliza já no AT a intervenção soberana de Deus e do seu Espírito que purifica as consciências(Isaías 1:25 - Zacarias 13:9 - Malaquias 3:2,3 - Eclesiástico 2:5).

O fogo da geena( verso 12) que consome para sempre  o que não pode ser purificado( Isaías 66:24 - Sofonias 1:18 - Salmos 21:10 - pág.1707)"


Portanto o FOGO mencionado em Mateus 3:11 não pode ser considerado o fogo de juízo ou escatológico como querem alguns exegetas, primeiro porque o batismo de fogo está muito associado ao batismo no Espírito Santo, o verso 11 diz: "Ele vos batizará com Espírito Santo e fogo". 


Interessante é a nota  que o conceituado Dicionário Bíblico Universal Buckland trás sobre o texto em tela: 

"O Espírito Santo é comparado ao FOGO(Mateus 3:11 - Atos 2:3) e sua obra é converter e purificar as almas, INFLAMANDO-AS[grifo meu] de amor a Deus e de zelo pela a sua glória. A Palavra de Deus é, também, apresentada como semelhante ao fogo (Jr. 23:29)"

Comentário Bíblico Universal Buckland - Editora Vida, pág 235




No original grego não há uma preposição antes da palavra fogo, dando a entender que os dois batismos são para as mesmas pessoas. 

A letra "e" no original grego que separa as palavras - Espírito Santo e fogo - é " καὶ " sendo uma partícula primária que tem uma ação aditiva e algumas vezes também uma força acumulativa e também; "até mesmo", "realmente", "mas". 

(Bíblia Strong)


Em segundo lugar os dois fogos são diferenciados, quando é dito que os ímpios serão lançados no fogo inextinguível. Ora, o fogo do batismo com fogo não é inextinguível, mas tem efeito purificador e juntamente com o batismo no Espírito Santo deixará de existir na eternidade.

Verdade que vemos o FOGO  de Deus associado ao juízo em Números 10 com relação a Nadabe e Abiú, porque ofereceram fogo estranho e porque oferecer incenso no altar era ofício exclusivo do sumo sacerdote e não pode ser usado em comparação com o texto objeto desse estudo, no caso Mateus 3:11.



E finalmente quem batiza com o Espírito Santo e fogo é Jesus, mas o lançamento dos impios ao fogo inextinguível será efetuado pelos anjos (Mt 13. 40-42).


POSIÇÕES DE ALGUNS TEÓLOGOS

Sobre este tema, alguns intérpretes e exegetas bíblicos, apresentam algumas posições divergentes e convergentes, sejam eles pentecostais ou não.

1ª OPÇÃO: BATISMO COM FOGO COMO ASPECTO PURIFICADOR E NÃO DE JUÍZO

O exegeta pentecostal canadense French L. Arrington, por exemplo, afirma que esse Batismo com Fogo, tem um aspecto purificante e esplêndido na vida do cristão.

O primeiro como expressão do arrependimento e o segundo indicando a própria plenitude de uma vivência com o Deus vivo tanto no Espírito como no fogo da glória divina.

A questão é: a quem João Batista se dirige nesse discurso? Se o foco é a própria comunidade de crentes a menção ao fogo não seria mais litúrgica do que escatológica? 

Além disso, o FOGO como já dito, sempre foi visto para os judeus como a garantia da manifestação divina, pois ela estava ligada ao fogo.

O fogo sempre simbolizou, inclusive, o beneplácito de Deus diante do sacrifício que Lhe agradava (Gênesis 15.7; Levítico 9.24; Juízes 6.21; 1 Reis 18.38). 

No Novo Testamento o fogo sempre indicou a glória de Cristo (Apocalipse 1.14; 2.18). Estes textos mostram que os olhos de Jesus são como chama de fogo.

Evidente que fogo na Bíblia também significa juízo, mas o contexto aqui não permite essa interpretação precipitada, por que esse batismo com fogo, tem mais a ver com purificação.

D. A. Carson chama a atenção para a expressão grega βαπτίσει ἐν Πνεύματι Ἁγίῳ καὶ πυρί (Mateus 3.11) onde a preposição ἐν (com) não aparece antes da palavra πυρί (fogo). 

Logo, a palavra com que liga dois elementos de uma frase, estabelecendo uma relação entre eles, está apenas após “do Espírito”, indicando assim a natureza dupla de um único batismo. 

Sem uma segunda preposição a tradução poderia ser: “batismo no Espírito, ou seja, fogo”. Carson comenta: “O batismo de água de João relaciona-se com arrependimento; mas aquele de quem ele prepara o caminho administra o batismo de Espírito-fogo que purifica e refina a pessoa” 


 MORRIS, Leon. Lucas: Introdução e Comentário. 1ª edição. São Paulo Edições Vida Nova, 1983. pág 94.

O exegeta inglês Henry Alford (1810-1871) via esse batismo como único em uma dupla função e achava um erro básico separar o público destinatário de cada elemento (Espírito e fogo), se o texto em grego assim não o faz. 

Alford dizia que essa promessa foi plenamente cumprida no Dia de Pentecostes (Greek Testament Critical Exegetical Commentary). 

Entre outros exegetas que concordaram com essa posição de FOGO PURIFICADOR, temos nomes como de George Campbell Morgan (1863-1945) e Philip Arthur Micklem (1876–1965).


2ª OPÇÃO  O BATISMO COM FOGO COMO UMA METÁFORA ESCATOLÓGICA QUE INDICA O JUÍZO VINDOURO SOBRE OS ÍMPIOS

Dentre os teólogos que assim se expressam temos Orígenes de Alexandria (185-254). Ele afirma que o ponto alto dessa interpretação é justamente o contexto (cf. Mateus 3.12; Lucas 3.17).

Entre os pentecostais que seguem essa linha temos  Stanley M. Horton, um dos teólogos assembleianos mais expressivos. Em um longo comentário Horton rebate cada ponto exposto acima como a associação do “batismo de fogo” com “língua de fogo” ou sobre a falta de preposição antes da expressão como indicador de um único batismo. 

Para Horton “quando Jesus fala sobre fogo refere-se ao do juízo ou da destruição, especialmente o Inferno”. 

Outro teólogo pentecostal que concorda com Stanley M. Horton é James B. Shelton: “O foco da mensagem de João Batista para os impenitentes é o batismo de julgamento, e para os arrependidos, o batismo de arrependimento”.


CONCLUSÃO

Porventura a minha palavra não é como o fogo, diz o Senhor, e como um martelo que esmiúça a pedra?

*Jeremias 23:29*




Diferente de alguns teólogos, especialmente do Calvinismo que se vangloriam de serem os únicos detentores da verdadeira e única teologia reformada pois vivem de zombarias com a teologia pentecostal e tratam opiniões contrárias com soberba e gracejos, podemos perceber que a hermenêutica desses que se nominam como teólogos é desonesta, já que em matéria exegética, muitas vezes, ignoram uma das regras mais importantes da ciência da interpretação de textos bíblicos e "interpretam" muitos trechos das Escrituras de forma isolada desconsiderando todo um contexto bíblico e histórico. 

Apesar do Pentecostalismo não ser unânime nessa questão, como já visto acima, este blog apesar dos bons argumentos do segundo grupo, concorda não com os teólogos, mas sim com o peso e as evidências das Escrituras que nos revelam por suas páginas seletivas que o BATISMO DE FOGO mencionado em Mateus 3:11 não se trata do fogo do juízo escatológico, mas de um fogo purificador, que fortalece e capacita o cristão para desempenhar tarefas específicas no Reino de Deus.

Além disso, o Apóstolo Paulo em 1ª Tessalonicenses 5:19 afirma:  "Não apagueis o Espírito".


Por fim a Bíblia Strong especifica








A BÍBLIA LITERAL DO TEXTO TRADICIONAL TRÁS O SEGUINTE









Diante do exposto neste artigo acreditamos que o BATISMO COM FOGO mencionado em Mateus 3:11 não se refere ao fogo do juízo, mas do fogo purificador para revestimento e fortalecimento do cristão para realização da Obra do Senhor e também para resistir no dia mau como disse o Apóstolo Paulo:


"Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes".
Efésios 6:13


"...sabendo que fui posto para a defesa do Evangelho"

Filipenses 1:17