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sábado, 1 de abril de 2023

AMEI A JACÓ - ABORRECI A ESAÚ

 NÃO É DIFÍCIL DE ENTENDER


A explicação dos CALVINISTAS da dupla predestinação é engenhosa. Como Deus preferiu Jacó e rejeitou Esaú, logo, Deus salva alguns e rejeita outros. Porém, não é essa a exata interpretação do texto.


Em Romanos 9.9 a 13, o apóstolo Paulo usa o trecho de Gn. 25:23 associando detalhes de Malaquias 1:1-4. Na referência o uso é menos pessoal e mais nacional. «Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú». O texto deve ser interpretado no sentido de duas nações, não de dois indivíduos, segundo se deduz da referência original das duas citações do Velho Testamento (Gn. 25.23; Mal. 1.2,3). 

Jacó, o mais novo, teria um papel mais importante 

que o do irmão Esaú. 


Deus o escolheu  para ser o ancestral do Messias. Esaú, citado em Hebreus 12.16 como  “impuro” e “profano”, perdeu seu direito de primogenitura. Contudo, nada se diz dele ter perdido sua salvação. A escolha de seu irmão Jacó para um papel de destaque não significava que ele, Esaú, devesse perder sua salvação. Esaú e seus descendentes, os edomitas, não tiveram a mesma importância na história, como que tiveram Jacó e os israelitas. Foram ”vasos para desonra”, ou “vasos com menos honra” (Rm 9.21).


Além disso, «amor» e «aborrecimento» não são fundamentos de eleição, como nós entendemos estes sentimentos subjetivos. Deus não é arbitrário em Sua escolha e não pode ser acusado de favoritismo irracional. Os termos sentimentais indicam antes uma função e um destino nacionais. Judá, e não Edom, foi eleito para a revelação progressiva na história. Israel deveria ser o veículo das bênçãos espirituais para as outras nações, e, nesse sentido, se tornar a mais elevada de todas as nações. Mas mesmo diante do aparente fracasso da nação predestinada,  o pináculo de tudo foi ocupado pelo Messias, o qual veio ao mundo por intermédio de Israel. Em nenhum momento da interpretação o texto bíblico sugere tratar-se da salvação e perdição de alguém,  Portanto, é lícito afirmar que essa referência dupla se aplique as duas nações, bem como as bênçãos espirituais, e não a salvação individual. E além disso nada mais é dito no texto, senão que “o mais moço será servo do mais velho” (v.12).


Literalmente, Esaú nunca serviu a seu irmão Jacó. Quando é dito em Romanos 9:12 que “o mais velho servirá o mais novo”, a profecia somente teve cumprimento com os seus descendentes.


Como foi dito, a referência  “amei a Jacó e odiei a Esaú” é uma citação do livro de Malaquias 1.1-4. Em Malaquias, esses nomes representam os povos que descenderam de Jacó, e os que descenderam de Esaú, os edomitas. 

Em vista de que os edomitas haviam perseguido os judeus, Deus disse: “desolarei a vossa terra. . .”


Direito de primogenitura e salvação


Deus prometeu o direito de primogenitura a Jacó. Significava isso que Esaú não podia salvar-se? Logicamente não. Em parte alguma das Escrituras lemos que Esaú não podia ser salvo.


Esaú de fato buscou o direito de primogenitura com lágrimas, e foi incapaz de obtê-lo, mas em parte nenhuma a Bíblia diz que ele não poderia salvar-se. Na realidade, a Bíblia diz é que Deus amoleceu o seu coração para com o irmão, e ele o acolheu no fim de sua vida (Gênesis 33.4).


Nada há absolutamente nas Escrituras que tome esse verso de Romanos 9 para aplica-lo ao destino eterno de indivíduos.


Encontraremos no céu crentes tanto de Edom (Am 9.12) quanto do país vizinho, Moabe (Rt. 1), assim como haverá pessoas no céu de toda tribo, raça, língua, povo e nação (Ap 7.9).


Extraído do aplicativo CACP - RESPONDE


"...sabendo que fui posto para a defesa do evangelho".
Filipenses 1:17

quarta-feira, 14 de julho de 2021

AMOR FORÇADO É CONTRADIÇÃO DE TERMOS

 DEUS FORÇA O HOMEM A ACEITÁ-LO ?

 

No filme "O TODO PODEROSO", o personagem Bruce, interpretado pelo ator Jim Carrey, recebe os poderes de Deus, mas como é egocêntrico e egoísta, só pensa nele e as coisas dão todas erradas.

Na cena em questão, ele implora a sua ex-mulher que o ame e num gesto desesperado e nem mesmo com todo o poder a ele dado, ele não consegue  reconquistar o amor de Grace.

A cena, apesar de engraçada tem um pano de fundo: DEUS NÃO EXIGE O AMOR DE NINGUÉM, por que amor forçado é contradição de termos. Ele respeita a individualidade humana. Jesus disse:

E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.

Lucas 9:23

 

"E dizia a TODOS: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me". ( Lucas 9:23).

 

"Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo".

Apocalipse 3:20

 

 

Finalmente, é importante ressaltar que, se o livre-arbítrio não conta, pois ele não existe segundo o Calvinismo, então a vontade do homem é violentada por Deus para que ele creia, a despeito do que ele creria caso tivesse o livre-arbítrio de aceitar ou rejeitar a graça divina. Como a graça é irresistível, torna-se impossível que o homem resista à graça. 

 

Ele sempre terá que aceitá-la, e essa aceitação não provém da própria vontade do homem, mas da eleição divina na eternidade.


É como um homem que força a sua amada a aceitar seu pedido de casamento, em contraste com um que a convida a se casar mas que a deixa livre para aceitar ou rejeitar este convite, dependendo da vontade dela. O problema é que amor forçado é contradição de termos, e que a Bíblia, por todos os lados, apresenta uma noção contrária ao uso de uma força irresistível para convencer alguém de algo. 

Já vimos o texto de Apocalipse 3:20, que mostra o oposto

Deus bate na porta como um gentil cavalheiro, esperando que a pessoa livremente decida abrir a porta do seu coração a ele. Ele não arromba, não chega entrando sem pedir permissão nem violenta a vontade do indivíduo para que ele abra. Até o apóstolo Paulo dizia a Filemom que “não quis fazer nada sem a sua permissão, para que qualquer favor que você fizer seja espontâneo, e não forçado” (Fm.14).  

 

Jesus, antes de curar o paralítico, perguntou-lhe:


“Um dos que estavam ali era paralítico fazia trinta e oito anos. Quando o viu deitado e soube que ele vivia naquele estado durante tanto tempo, Jesus lhe perguntou: ‘Você quer ser curado?’” (João 5:5,6)


Embora fosse óbvio que um paralítico iria querer ser curado e igualmente óbvio que a cura seria o melhor para ele, Jesus não foi operando a cura sem a permissão ou livre vontade do indivíduo. Ele primeiro perguntou se ele queria ser curado, e só depois de receber resposta positiva é que ele realizou a cura. 

Cristo nunca agiu contrário ao livre-arbítrio de uma pessoa, mas por meio do livre-arbítrio da pessoa. Ele não faz as coisas de forma unilateral e forçada.


Outro exemplo disso se encontra no relato da cura dos homens cegos:


“Dois cegos estavam sentados à beira do caminho e, quando ouviram falar que Jesus estava passando, puseram-se a gritar: ‘Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós!’ A multidão os repreendeu para que ficassem quietos, mas eles gritavam ainda mais: ‘Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós!’ Jesus, parando, chamou-os e perguntou-lhes: ‘O que vocês querem que eu lhes faça?’ Responderam eles: ‘Senhor, queremos que se abram os nossos olhos’. Jesus teve compaixão deles e tocou nos olhos deles. Imediatamente eles recuperaram a visão e o seguiram” (Mateus 20:30-34)


Era lógico que aqueles cegos estavam procurando Jesus porque queriam ver. Mesmo assim, ao invés de Jesus já ir curando, ele primeiro perguntou o que eles queriam que ele fizesse, e só depois dos cegos expressarem a vontade deles é que Cristo de fato agiu com a cura. 

 

O tempo todo vemos Deus respeitando a vontade do homem e não forçando a vontade do homem. C. S. Lewis já sabia disso quando disse:


“O Irresistível e o Indiscutível são duas armas que a própria natureza de Seu esquema O proíbe de utilizar. Subjugar simplesmente a vontade humana… não Lhe serve. Ele não pode arrebatar. Pode apenas convidar”[1]


Um amor forçado e irresistível destrói qualquer relacionamento. Um relacionamento só existe onde alguém é livre para amar ou não amar, e decide, por livre e espontânea vontade, amar. Mas se a vontade de um ser é violentada para que ele só possa amar, não há mais nenhum relacionamento sincero aqui. 

 

Ray Dunning bem observa:

“se os homens são peças que o Soberano Mestre em xadrez as move de forma unilateral e até excêntrica, o caráter pessoal da relação humano-divina é efetivamente eliminado”[2].


Roger Olson pergunta:


“Se os homens escolhidos por Deus não podem resistir à oferta de um relacionamento correto com Deus, que tipo de relacionamento é esse? Uma relação pessoal pode ser irresistível? Tais predestinados são, de fato, pessoas em um relacionamento assim?”[3]


 

Sobre a perspectiva de Armínio, ele também afirma:


“A preocupação de Armínio não residia apenas em não fazer de Deus o autor do pecado, mas também que a relação divino-humana não fosse meramente mecânica, mas genuinamente pessoal. Para ele, a doutrina do calvinismo rígido reduziu a pessoa a ser salva a um autômato e a relação divino-humana ao nível de relacionamento entre uma pessoa e um instrumento. Portanto, ele teve que dar espaço à resistência, mas ele não o fez de maneira tal a sugerir que a pessoa sendo salva se tornasse a causa da salvação”[4]


Chales Cameron também acentua que “a graça de Deus não é certa força irresistível (…) é uma Pessoa, o Espírito Santo, e em relacionamentos pessoais não pode haver a subjugação de uma pessoa por outra”[5]. 

 

 

Quem fala melhor do que ninguém sobre isso é Norman Geisler. Ele diz:

"O uso de força irresistível da parte de Deus contra Suas criaturas livres seria uma violação tanto da caridade de Deus como da dignidade dos seres humanos. Deus é amor. O verdadeiro amor jamais abre caminho à força. Amor forçado é rapto, e Deus não é um raptor!”[6]


 

Para ele, “uma força irresistível usada por Deus nas criaturas livres seria violação tanto do amor de Deus quanto da dignidade do ser humano. Deus é amor. E o verdadeiro amor nunca força ninguém, seja externa, seja internamente. ‘Amor forçado’ é contradição de termos”[7]. 

 

No Calvinismo, “o fato de alguma pessoa não ter escolhido amar, adorar e servir a Deus não fará nenhuma diferença para Ele. Ele simplesmente ‘se apodera’ dos que escolhe com seu poder irresistível e força-os a entrar em seu Reino, contra a vontade deles”[8].


Por fim, ele afirma:


“A ‘graça irresistível’ viola o livre-arbítrio daquele que não a deseja, pois Deus é amor (Jo 4.16), e o verdadeiro amor é persuasivo, mas nunca coercitivo. Jamais poderá haver um casamento forçado no céu. Deus não é como B. F. Skinner que, em sua teoria da conduta, modifica as pessoas fazendo que ajam contra a própria vontade”[9]
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[1] C. S. Lewis, As Cartas do Coisa-Ruim (Edições Loyola, 1982), p. 42.


[2] DUNNING, H. Ray. Grace, Faith, and Holiness. Kansas City, Mo.: Beacon Hill, 1988, p. 257-258.


[3] OLSON, Roger. Teologia Arminiana: Mitos e Realidades. Editora Reflexão: 2013, p. 48.


[4] OLSON, Roger. Teologia Arminiana: Mitos e Realidades. Editora Reflexão: 2013, p. 212.


[5] CAMERON, Charles M. “Arminius – Hero or Heretic?” Evangelical Quartely, n. 3. v. 64, 1192. p. 225.


[6] GEISLER, Norman. Predestinação e Livre-Arbítrio: Quatro perspectivas sobre a soberania de Deus e a liberdade humana. Editora Mundo Cristão: 1989, p. 90.


[7] GEISLER, Norman. Eleitos, mas Livres: uma perspectiva equilibrada entre a eleição divina e o livre-arbítrio. Editora Vida: 2001, p. 55.


[8] GEISLER, Norman. Eleitos, mas Livres: uma perspectiva equilibrada entre a eleição divina e o livre-arbítrio. Editora Vida: 2001, p. 53.


[9] GEISLER, Norman. Eleitos, mas Livres: uma perspectiva equilibrada entre a eleição divina e o livre-arbítrio. Editora Vida: 2001, p. 54.

 


Extraído do aplicativo CACP RESPONDE

Fonte original: “Calvinismo X Arminianismo: quem está com a razão?”

 

"sabendo que fui posto para a defesa do Evangelho"

Filipenses 1:17